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Pazuello prevê fabricação da vacina contra Covid-19 no Brasil até janeiro de 2021

Ministro interino da Saúde participou de coletiva no Palácio Piratini nesta terça-feira



21/07/2020 18:38 por Correio do Povo

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Eduardo Pazuello participou, nesta terça-feira, de uma coletiva no Palácio Piratini | Foto: Felipe Dalla Valle

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O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, projeta que o Brasil dê início a fabricação da vacina contra a Covid-19 até janeiro de 2021. Em passagem por Porto Alegre, o ministro confirmou o acordo feito entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Universidade de Oxford e a empresa biofarmacêutica AztraZeneca. Segundo ele, no momento, o Ministério da Saúde discute a transferência de recursos: “A previsão é para o final do ano, para que entre dezembro e janeiro já estejamos fabricando a vacina com a AstraZeneca”, disse durante a coletiva de imprensa no Palácio Piratini, ao lado do governador Eduardo Leite e o prefeito da Capital, Nelson Marchezan Junior. 

“Fizemos um acordo de cooperação e encaminhamos uma carta de intenções para a AstraZeneca para participar da fase 3 de testes e do desenvolvimento final da vacina. Adquirimos a planta necessária de produção e os lotes dos insumos para a fabricação de grande quantidade, de 30 a 40 milhões de doses. Isso já está compactuado. Essa contratação prevê a transferência de tecnologia e o recebimento de insumo”, completou. 

De acordo com o ministro, a distribuição da vacina seguirá a mesma logística que se faz com as outras vacinas do Ministério da Saúde como, por exemplo, a da gripe. Mais cedo, o ministro interino anunciou que o Rio Grande do Sul receberá 100 novos respiradores e extrator para testes de Covid-19. 

Vacinas promissoras

O ministro ainda citou outras duas vacinas promissoras que estão sendo testadas no Brasil. Com relação à Sinovac, empresa chinesa responsável por outra vacina, que inclusive terá uma fase de testes no Rio Grande do Sul, Pazuello reiterou que o trabalho é feito por São Paulo, através do Instituto Butantan. “Também está mais ou menos no mesmo ponto. Essa fabricação seria no Butantan, para complementar as quantidades que estamos trabalhando”, sinalizou.

Sobre as tratativas com a empresa Moderna dos Estados Unidos, Pazuello explicou que se trata de um outro tipo de vacina, com uma tecnologia de fabricação que não é dominada no Brasil, a partir do RNA da molécula do vírus. “Nesse caso estamos pactuando a possibilidade de compra com prioridade”, explicou. A distribuição das doses, conforme Pazuello, também deve seguir a forma de logística que é feita pelo Ministério da Saúde com a vacina da gripe.

Trabalho integrado 

Durante o encontro, Pazuello ainda comentou que o Ministério da Saúde está trabalhando de forma integrada com o governo do Estado e com a Prefeitura de Porto Alegre para garantir que todas as necessidades sejam atendidas. “Tudo o que o Rio Grande do Sul precisar de equipamentos, recursos humanos, testes, o que for necessário, vamos correr atrás e vamos entregar. Sem promessas, mas pode ter certeza que vamos trabalhar muito para isso”, pontuou.

Além disso, Pazuello disse que o Rio Grande do Sul está “sob controle”, apesar de o Estado viver o seu pior momento na pandemia. “É um estado com uma gestão eficiente e detalhada, se fosse assim em todo o Brasil, eu não me preocupava com nenhum estado”, declarou, lembrando que a comitiva do Ministério da Saúde veio ao Estado para tratar sobre a orientação oficial de tratamento para pacientes com o novo coronavírus.

“Hoje nós podemos resumir da seguinte forma: o tratamento ideal é o tratamento precoce. O diagnóstico é feito pelo médico, erroneamente foi classificado apenas como teste, mas o diagnóstico para a doença causada pela Covid-19 será clínico e poderá ser aprofundado com exames laboratoriais, tomografia, radiografia, com exames de sangue e o teste RT PCR”, assinalou.

Segundo ele, após a efetivação por parte do médico, o caso será notificado e essa notificação é a base estatística que será usada pelo Ministério. “Não pode haver dúvidas da orientação, esta é a melhor forma de nós tratarmos a doença causada pela Covid-19. Se o paciente precisar ir para o hospital, o caminho inicial são as unidades de suporte ventilatório, não é direto para tubo e respirador em UTI. Em último caso a pessoa pode precisar ser intubada, a UTI e o respirador é o último caso”, afirmou, lembrando que é preciso tratar o paciente de forma precoce com medicamentos, após o diagnóstico do médico. “É assim que vamos salvar mais vidas, estou sendo enfático e direto porque esse foi o motivo de estarmos aqui”, acrescentou.

Tanto o governador Eduardo Leite, quanto o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior, agradeceram pela visita do ministro Pazuello e comentaram sobre a atuação integrada entre Estado, Município e União. Os dois ainda frisaram que é preciso continuar com as tratativas e a relação próxima com o Ministério da Saúde para garantir que as estratégias de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus tenham bons resultados.

*Com informações de Jessica Hübler e Lou Cardoso


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