Presidente do Simers diz que entidade está “formatando pedido de cassação” de prefeito em meio à crise no HDP
A crise no Hospital Divina Providência (HDP), em Frederico Westphalen, ganhou um novo capítulo após o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Marcelo Matias, afirmar, em entrevista à TV Pampa, que a entidade está estruturando um possível pedido de cassação do prefeito Orlando Girardi.
A declaração ocorre após uma reunião realizada na última semana entre representantes do sindicato, a administração municipal e a direção do hospital. Segundo Matias, o encontro foi marcado por forte tensão e falta de diálogo. Ele classificou a situação como a mais grave que já enfrentou em sua trajetória no sindicalismo.
De acordo com o dirigente, um médico delegado sindical teria sido afastado após denunciar más condições de trabalho no hospital, além de atrasos nos pagamentos aos profissionais. Ele também relatou que, durante a reunião, o prefeito teria adotado postura considerada inadequada, com elevação de tom e uso de palavras ofensivas.
Matias afirmou ainda que, diante do pedido de rescisão contratual de 22 médicos - que, segundo ele, não teria sido aceito pela administração-, o prefeito teria declarado que os profissionais “vão ter que sair de Frederico”. Para o presidente do Simers, a situação demonstra falta de capacidade de diálogo por parte do chefe do Executivo, o que motivou a discussão interna sobre a possibilidade de abertura de um processo de cassação.
O caso ocorre em meio a uma crise mais ampla no HDP. Um grupo de 22 médicos que atuam em regime de plantão e sobreaviso pelo Sistema Único de Saúde (SUS) apresentou pedido de demissão coletiva, devendo permanecer em atividade por até 60 dias, conforme previsto em contrato.
Segundo o Simers, além de questões relacionadas às condições de trabalho, há pendências financeiras com a categoria, estimadas em cerca de R$ 800 mil. O sindicato também defende a retomada de profissionais desligados como parte das negociações.
Por outro lado, em nota oficial, a Prefeitura de Frederico Westphalen e a interventora do hospital, Lisete Cristina Bison, afirmaram que a instituição enfrenta uma grave crise financeira, com dívida superior a R$ 30 milhões acumulada ao longo dos anos. O Executivo sustenta a necessidade de uma reestruturação administrativa e operacional para garantir a continuidade dos serviços.
A Administração Municipal também garantiu que não há risco imediato de desassistência à população e que os atendimentos serão mantidos durante o período de aviso prévio dos profissionais.
O impasse segue sem solução definitiva e deve avançar nas próximas rodadas de negociação, enquanto aumenta a pressão por uma solução que assegure o funcionamento do hospital e o atendimento à comunidade.
Reviewed by In Foco RS
on
quinta-feira, abril 23, 2026
Rating:

Nenhum comentário
Postar um comentário