Crise no HDP se agrava com demissão coletiva de médicos, dívida milionária e impasse entre Prefeitura e sindicato
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| Foto: Divulgação |
A situação ganhou repercussão nesta sexta-feira (17), após confirmação do Simers. Os profissionais atuam em regime de plantão e sobreaviso pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e, conforme os contratos, devem permanecer em atividade por até 60 dias após o aviso prévio. Caso não haja acordo nesse período, há risco de comprometimento no atendimento à população.
Segundo o sindicato, a decisão dos médicos ocorre diante da falta de avanço nas negociações com a administração municipal e a direção do hospital. Entre as reivindicações, estão a readmissão de dois profissionais desligados na última semana, considerada condição fundamental para o avanço do diálogo , além de pendências financeiras. O Simers aponta uma dívida de cerca de R$ 800 mil com a categoria, referente a pagamentos atrasados, mas afirma que o fator financeiro não é o único motivo das demissões.
Prefeitura aponta dívida de R$ 30 milhões e defende reestruturação
Em nota oficial, a Administração Municipal e a interventora do HDP, Lisete Cristina Bison, afirmaram que o hospital acumula uma dívida superior a R$ 30 milhões ao longo dos últimos anos. Diante do cenário, o Executivo sustenta a necessidade de uma profunda reestruturação administrativa e operacional, incluindo mudanças no modelo de gestão.
O município informou que medidas paliativas já foram tentadas anteriormente, sem êxito, o que exige ações mais efetivas para garantir a continuidade dos serviços. “Ainda que difíceis”, as decisões têm como objetivo preservar o funcionamento do hospital e assegurar atendimento universal e de qualidade à população, conforme a nota.
Reunião termina sem acordo e amplia impasse
O impasse se intensificou durante reunião realizada no gabinete do prefeito Orlando Girardi, com a presença da interventora, representantes do Simers e equipe jurídica do hospital. O encontro teve como pauta inicial o aviso prévio de 60 dias concedido a dois médicos do plantão, medida que, segundo a Prefeitura, segue os termos contratuais de vínculos terceirizados.
Durante a reunião, o presidente do Simers, Marcelo Matias, propôs uma negociação entre médicos e gestores, mas condicionou o início das tratativas à revogação imediata dos avisos prévios. A Administração Municipal considerou a exigência inadequada, defendendo que o diálogo deve ocorrer sem imposições unilaterais.
Após a negativa, o sindicato apresentou 22 cartas de aviso prévio de médicos vinculados ao hospital. A Prefeitura informou que não recebeu os documentos no protocolo, sob o entendimento de que cada profissional deve formalizar individualmente sua decisão diretamente junto ao HDP.
A nota oficial também menciona rumores de que as cartas teriam sido assinadas sob orientação ou possível pressão sindical, ponto que, segundo o Executivo, demanda apuração.
Auditoria e tentativa de mediação
O município informou ainda a contratação de uma auditoria externa, custeada pela Prefeitura, para investigar as origens da crise financeira do hospital. Os resultados deverão ser divulgados após a conclusão dos trabalhos, em nome da transparência.
Paralelamente, uma nova reunião com a Câmara de Vereadores está pré-agendada para o dia 27. A expectativa é que o Legislativo auxilie na mediação do conflito. Há ainda a possibilidade de participação de entidades como o Instituto MEDIAR/RS nas tratativas.
Garantia de atendimento e continuidade dos serviços
Apesar do cenário de incerteza, a Administração Municipal afirma que não há risco imediato de desassistência. Em nota, o Executivo garantiu que não faltarão profissionais médicos nem insumos à população durante o período de aviso prévio.
A Prefeitura também negou qualquer tipo de ameaça aos profissionais e reiterou que segue aberta ao diálogo institucional, desde que conduzido com responsabilidade, sem condicionantes e com foco no interesse público.
Já o Simers mantém a posição de que é necessário avançar nas negociações para evitar a saída dos profissionais e possíveis prejuízos ao atendimento. O sindicato afirma permanecer aberto ao diálogo.
O desfecho do caso deve depender das próximas rodadas de negociação, em meio à pressão por soluções que garantam a continuidade dos serviços de saúde no município.
As informações são do Jornal O Alto Uruguai, e da Ascom FW
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sexta-feira, abril 17, 2026
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