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Agências de saúde dos EUA pedem interrupção do uso da vacina da Johnson após coágulos sanguíneos

Ministério da Saúde, ainda comandado por Eduardo Pazuello, assinou contrato para receber 38 milhões de doses do imunizante



13/04/2021 11:24 por Correio do Povo

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Autoridades vão investigar possível relação entre doença e vacina de dose única | Foto: ROB ENGELAAR / ANP / AFP / CP

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Agências federais de saúde dos Estados Unidos recomendaram nesta terça-feira uma pausa imediata no uso da vacina contra a Covid-19 da Johnson & Johnson, desenvolvida pela Janssen, citando preocupações com a formação de coágulos sanguíneos nas pessoas que receberam a injeção. Seis mulheres entre 18 e 48 anos que receberam o imunizante de dose única desenvolveram os coágulos, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), que se manifestou em um comunicado. Uma delas morreu e outra está em estado crítico no hospital.

Antes de deixar o cargo de ministro da Saúde, Eduardo Pazuello anunciou a assinatura do contrato com a Janssen e a Pfizer para a aquisição de vacinas contra a Covid-19, o que deve garantir 138 milhões de doses ao Brasil até o final de 2021. As doses vão chegar de forma escalonada, de abril até novembro. Serão 100 milhões de doses da Pfizer e outras 38 milhões da Janssen.

"O CDC vai convocar uma reunião do Comitê Consultivo em Práticas de Imunização (ACIP) na quarta-feira para revisar esses casos e avaliar sua importância potencial. A Food and Drugs Administration (FDA )vai revisar essa análise, uma vez que também investiga esses casos", relatou o órgão. "Até que esse processo seja concluído, estamos recomendando uma pausa no uso desta vacina por muita cautela". 

Todas as mulheres desenvolveram a condição cerca de duas semanas após a injeção, e especialistas estão preocupados que uma resposta do sistema imunológico desencadeada pela vacina tenha sido a causa. Em março, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o pedido de uso emergencial desta produto no Brasil de forma unânime. Ela será importada e não há previsão de parceria para produção nacional.

Quase sete milhões receberam imunizante nos EUA 

Conforme a legislação dos EUA, o governo federal tem autoridade para interromper as vacinações que está realizando diretamente, mas não aquelas que estão sendo administradas por funcionários estaduais. O The New Times relatou que as autoridades americanas esperam que os estados também optem por interromper o uso da vacina. A análise de 62 páginas dos dados da FDA, que foi divulgada no final de fevereiro, concluiu que a injeção era eficaz e segura.

Quase sete milhões de pessoas nos Estados Unidos receberam injeções da Johnson & Johnson até agora, e cerca de nove milhões a mais de doses foram enviadas para os estados, conforme dados públicos do CDC. "Normalmente, um anticoagulante chamado heparina é usado para tratar coágulos sanguíneos. Nesse cenário, a administração de heparina pode ser perigosa e tratamentos alternativos precisam ser administrados”, explicou o comunicado. 

"Nenhuma relação causal clara foi estabelecida"

Em uma nota à imprensa, a Johnson & Johnson disse que estar ciente "de que eventos tromboembólicos, incluindo aqueles com trombocitopenia, foram relatados com as vacinas Covid-19. No momento, nenhuma relação causal clara foi estabelecida entre esses eventos raros e a vacina Janssen”, divisão da Johnson & Johnson que desenvolveu o imunizante

Nos EUA, entre 300 mil e 600 mil pessoas por ano desenvolvem coágulos sanguíneos, de acordo com CDC. Mas o distúrbio específico de coagulação do sangue que os receptores da vacina desenvolveram, conhecido como trombose do seio venoso cerebral, é extremamente raro. Coágulos sanguíneos em outros países levaram a revisões e algumas pausas no uso da vacina AstraZeneca, principalmente na Europa – ela não faz parte da campanha de imunização em solo norte-americano. 


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