Cherini apresenta um projeto para proibir as pesquisas eleitorais no Brasil

 

Foi apresentado na terça-feira (30) na Câmara projeto de lei que visa proibir a divulgação de pesquisas eleitorais. Segundo o texto do deputado Giovani Cherini (PR-RS), reeleito em 2018, as pesquisas “impactam negativamente na higidez do prélio eleitoral”. O parlamentar cita os institutos Datafolha e Ibope e os casos das pesquisas para governo estadual no Rio de Janeiro e em Minas Gerais em 2018. Em ambos os Estados, os resultados do primeiro turno das urnas surpreenderam.

No Rio, o ex-juiz Wilson Witzel (PSC) disparou e chegou ao segundo turno em primeiro lugar (depois, no dia 28, foi confirmado governador). O mesmo ocorreu com Romeu Zema (Novo) em Minas. De acordo com o deputado, os “erros estão muito acima das margens de erro toleradas pelos próprios institutos de pesquisa”. Antes de seguir para análise de comissões, a proposta aguarda análise do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

“As pesquisas ajudam a contar a história da eleição. Neste ano, evidenciaram os movimentos de ultima hora, componente frequente dos pleitos brasileiros. Considerar erro das pesquisas significa fechar os olhos para fenômeno”, disse Mauro Paulino, diretor do Datafolha, sobre o projeto apresentado.

Influência


Segundo especialistas investigações pelo mundo que tentaram capturar a influência das pesquisas no voto não foram conclusivas. Por aqui, eles apontam leituras divergentes que enxergam influências menores e maiores, diretas e indiretas

Autor dos livros A Cabeça do Brasileiro e A Cabeça do Eleitor, o cientista político Alberto Carlos Almeida avalia que o eleitor médio tem acesso restrito e truncado às informações relativas à política. Isso faria da influência direta no voto das pesquisas, por seu aspecto informacional, algo residual.

“O eleitor faz uma pesquisa informal na vida dele, na sua bolha. Brinco que é comovente ver os candidatos lutando pelo voto útil, porque na prática ele não muda nada”, apontou Almeida. “(Para considerar diretamente as pesquisas em seu voto) o eleitor precisaria ter acesso às pesquisas, confiar nelas, entender e memorizar, comparar metodologias. As pesquisas são muito mais importantes para quem acompanha a política de perto, jornalistas, campanhas, o mercado financeiro.”

Por outro lado, especialistas parecem concordar que as sondagens por si só têm impacto restrito na decisão do eleitor, mas seus resultados podem “animar” as campanhas – no caso, por exemplo, de candidatos que crescem em percentuais. Isto, porém, era mais evidente antes da proibição ao financiamento privado das campanhas, em 2015, quando havia uma correlação entre aumentos nas pesquisas e maior arrecadação de recursos. Elas também ajudam no diagnóstico sobre candidatos adversários e orientam estratégias.

Segundo o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, no que diz respeito à influência no voto do eleitor, as sondagens ganham outra importância quando apropriadas como discurso pelas campanhas. “São elas que alimentam as campanhas pelo voto útil, estratégico. Em 2014, na véspera do primeiro turno, Aécio tinha 27% das intenções de voto e acabou passando para o segundo turno com 34%. Com certeza foi um voto útil contra o PT”, apontou Lavareda, autor do livro Emoções Ocultas e Estratégias Eleitorais.

RS Norte
Cherini apresenta um projeto para proibir as pesquisas eleitorais no Brasil Cherini apresenta um projeto para proibir as pesquisas eleitorais no Brasil Reviewed by In Foco RS on quarta-feira, outubro 31, 2018 Rating: 5