França pede doações e avalia danos na Notre-Dame

 

As chamas que destruíram parcialmente a Catedral de Notre-Dame, em Paris, ainda nem estavam completamente extintas quando o presidente da França, Emmanuel Macron, prometeu reconstruir o monumento centenário e convocou uma campanha de arrecadação de fundos. As primeiras ofertas milionárias foram anunciadas nesta terça-feira,
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O bilionário francês Bernard Arnault, colecionador de artes e presidente do maior conglomerado de marcas de luxo do mundo, LVMH, anunciou uma doação de 200 milhões de euros para a reconstrução da catedral.

"A família Arnault e o grupo LVMH, em solidariedade com essa tragédia nacional, se junta à reconstrução desta catedral extraordinária, símbolo da França, sua herança e sua unidade", diz um trecho do comunicado do grupo, que detém marcas como Louis Vuitton, Dior, Moët & Chandon, Hennesy, Bvlgari, Tag Heuer, Givenchy, entre outras.

A oferta de doação veio depois que seu rival ofereceu 100 milhões de euros. O bilionário François-Henri Pinault – que preside a holding francesa Kering, grupo de artigos de luxo que detém marcas como Gucci, Yves Saint Laurent e Balenciaga, e que é casado com a atriz Salma Hayek – disse ao diário francês Le Figaro que espera que o dinheiro – que será pago pela empresa de investimentos da família Pinault, Artemis, ajude a "reconstruir completamente a Notre-Dame".

Valérie Pécresse, presidente do Conselho Regional de Île-de-France, uma das 13 regiões administrativas da França e que abriga a Grande Paris, afirmou que doará 10 milhões de euros para a reconstrução.

O presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, pediu aos parlamentares doações para a reconstrução da Notre-Dame, "como sinal de solidariedade", em uma caixa do lado de fora do plenário em Estrasburgo. Por fim, a agência cultural das Nações Unidas, a Unesco, também prometeu "apoiar a França" na restauração do monumento, declarado Patrimônio da Humanidade em 1991.

O dono de uma empresa madeireira francesa afirmou à Rádio FranceInfo que está disposto a oferecer as melhores vigas de carvalho disponíveis para reconstruir o complexo que formava o telhado da catedral.

"O trabalho certamente levará anos, décadas até. Mas exigirá milhares de metros cúbicos de madeira. Teremos que encontrar os melhores exemplares, com grandes diâmetros", disse Sylvain Charlois, do grupo Charlois.

Além de tempo, o trabalho de restauração será um desafio da natureza. Bertrand de Feydeau, vice-presidente do grupo de preservação Fondation du Patrimoine, afirmou à Rádio FranceInfo que a França não tem mais árvores grandes suficientes para substituir as antigas vigas de madeiras na Notre-Dame.

O especialista em patrimônio cultural explicou que o telhado de madeira foi, em parte, construído há mais de 800 anos, com vigas de florestas primárias. Feydeau afirmou que o telhado da catedral não poderá se reconstruído exatamente como era antes do incêndio. "Nós não temos, no momento, árvores em nosso território do tamanho das que foram cortadas no século 13". Segundo ele, o trabalho de restauração terá que usar novas tecnologias para reconstruir o telhado.

Danos


O incêndio na catedral de Notre-Dame começou por volta de 18h50 no horário local (13h50 em Brasília). "Todo o telhado foi destruído, toda a armação foi destruída, parte da abóbada caiu, e a flecha [uma torre isolada de 93 metros revestida de chumbo sobre o teto da nave] desabou", disse Gabriel Plus, porta-voz dos bombeiros de Paris.

O comandante dos bombeiros, o general Jean-Claude Gallet, anunciou que a estrutura da catedral estava "salva e preservada na sua globalidade". O fogo foi oficialmente declarado extinto somente na manhã desta terça-feira. Agora cabe aos serviços de emergência analisar o movimento das estruturas e algumas obras de arte serão retiradas do local com a ajuda de especialistas.

A construção da Catedral de Notre-Dame na Ilha de la Cité, uma pequena ilha rodeado pelo rio Sena, foi iniciada em 1163 e se estendeu até 1345. A catedral é o monumento mais visitado de Paris e da Europa, à frente de outras construções, como o Museu do Louvre e a Torre Eiffel – em 2018 foram mais de 13 milhões de visitas.

*Com informações da Deutsche Welle (agência pública da Alemanha)
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