Juiz decreta prisão preventiva de homem que confessou ter matado manicure


A fim de assegurar a garantia da ordem pública, o juiz de Direito Alejandro Werlang, da 1ª Vara Judicial da Comarca de Frederico Westphalen, decretou na tarde desta terça-feira, 20 de junho, a prisão preventiva do homem de 39 anos que confessou ter matado a manicure Dirlei Cavalheiro, 36 anos, no fim de maio. O pedido havia sido feito pelo delegado de Polícia Civil Eduardo Nardi, que coordena a investigação, na sexta-feira passada. “O fundamento foi que o fato se revelou bastante grave, em razão de ter sido praticado com frieza, brutalidade e em situação de violência contra mulher em razão do gênero”, explicou o magistrado.

O caso é tratado como feminicídio, uma qualificadora do crime de homicídio caracterizada pelo menosprezo ou discriminação à condição de mulher ou contexto de violência doméstica e familiar. A partir de agora, o inquérito policial deve ser concluído em dez dias.

Sob prisão temporária no Presídio Estadual de Frederico Westphalen desde a madrugada de 3 de junho, o investigado alegou que a vítima possuía um relacionamento extraconjugal com ele e que agiu por ciúme. O cadáver da mulher foi encontrado por indígenas na tarde de 2 de junho, em um matagal próximo à ponte sobre o rio da Várzea, em Frederico Westphalen, três dias depois de a família registrar seu desaparecimento.

O perito que analisou o corpo destacou a crueldade com que a vítima foi morta, com 14 facadas que a atingiram no peito, na região superior das costas e no pescoço, além de não apresentar nenhum sinal típico de defesa.

O que o investigado disse após ser preso

Em depoimento à Polícia Civil, o homem relatou que por meio de uma ligação telefônica, convidou Dirlei a ir até seu apartamento, onde discutiram e a matou na tarde de 29 de maio. Entre 15h30 e 16h, colocou o corpo em uma caixa de papelão, tapando-a com um plástico, o levou a seu carro, um Ford/Ka preto, e o transportou até as proximidades da ponte sobre o rio da Várzea, onde atravessou a rodovia carregando a pé o cadáver e o deixou em um matagal às margens da BR-386. Jogou a faca usada no crime e os pertences pessoais de Dirlei no rio e no dia seguinte, levou o carro para lavar em Seberi.

Prisão temporária e prisão preventiva

Decretada ainda na noite do dia 2 de junho, a prisão temporária é aplicada, conforme o Conselho Nacional de Justiça, quando for imprescindível para as investigações do inquérito policial; quando o indiciado não tiver residência fixa ou não fornecer elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade; quando houver fundadas razões, de acordo com qualquer prova admitida na legislação penal, de autoria ou participação do indiciado nos crimes de homicídio, sequestro, roubo, estupro, tráfico de drogas, crimes contra o sistema financeiro, entre outros.

Já a preventiva pode ser decretada em qualquer fase da investigação policial ou da ação penal, quando houver indícios que liguem o suspeito ao delito. Ela em geral é pedida para proteger o inquérito ou processo, a ordem pública ou econômica ou a aplicação da lei, para evitar que a pessoa investigada cometa novos crimes, fuja e destrua provas ou ameace testemunhas, por exemplo.

Cristiane Luza/Folha
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